Nos últimos dias, um lamentável assunto voltou às pautas esportivas dos mais diversos jornais esportivos, com certo tempero indigesto policial. A guerra sem motivos, sem ideologia e sem quaisquer precedentes discutíveis, entre guerrilheiros urbanos que se escondem atrás de uniforme de torcidas organizadas, traz à tona a faceta da falta do espírito esportivo e levanta certas questões; banir a verdadeira torcida que se organiza é o caminho certo a se seguir? Como punir os verdadeiros agressores sem acabar com a aquela magia das arquibancadas, sem silenciar cantos que empurram o time em campo e de todas as ações extracampo benéficas ao futebol?
A verdadeira torcida organizada do futebol brasileiro surgiu em meados da década de 40 no estado de São Paulo através de uma iniciativa do Cardeal Manoel Raymundo Paes de Almeida com o nome de Grêmio São-Paulino, a TUSP ? Torcida Uniformizada do São Paulo que durante anos foi uma grande fonte de descontração para jovens que desejavam algo para entreter aos fins de semana. Quem pertence àquela época certamente deve achar estranho viver à atualidade modificada e perceber que muitas das primeiras torcidas organizadas no Brasil que utilizavam serpentinas e confetes para festejar os jogos de seus times em meados da década de 40, hoje se transformaram em elementos munidos de raiva e ódio pelo próximo, muitos deles estimulados por presidentes de grandes agremiações e que se armam de pedaços de madeira, pedras, rojões e armas de fogo para intimidar outras torcidas, mostrando a faceta burra do que realmente importa no esporte.
Hoje em dia generalizar o termo ?torcida organizada? também é muito fácil, principalmente quando as autoridades responsáveis por garantir a segurança do espetáculo não conseguem coibir qualquer ato de vandalismo e se agarra a qualquer comentário moralista para radicalizar as comparações. O que os governantes tupiniquins e a própria população brasileira precisa descobrir é que não se coloca laranja podre com laranja boa no mesmo cesto ou no caso no mesmo estádio e fiscalizar é ser preciso na atuação com os responsáveis pela banalização do esporte, antes de se discutir a real função de qualquer torcida.